É verdade que este apelo não é novo, ainda assim, continua a

persistir a necessidade de o repetir. É verdade que as línguas são

vivas e evoluem. Mas, mudar por mudar, se numa língua existem

palavras que possam dar resposta, para quê inventar.

 

No coração deste apelo, reside a importância da comunicação ser

mais eficaz, evitando equívocos. Vejamos o caso de uma recente

competição no mundo do futebol (podia ser bolapé) português, em

que as regras foram escritas, recorrendo ao termo inglês goal-

average, para desempatar as equipas com os mesmos pontos

depois de realizarem uma série de jogos. Perante a ignorância do

autor (ou autores) das regras, o termo pretendia utilizar a diferença

entre os golos marcados e sofridos para servir de desempate. Só

que, goal-average significa média de golos e não diferença.

 

Recuando um pouco no tempo, a FIFA (e por arrastamento, Portugal)

em tempos, utilizou o termo goal-average com  o seu verdadeiro

significado, para desempatar equipas empatadas por pontos.

Depois, a mesma  entidade achou que era mais justo e claro, utilizar

a diferença e não a média entre os golos marcados e sofridos. O

bolapé português seguiu a mesma alteração de regra, mas

continuou a utilizar o termo antigo e errado neste caso, goal-

average, durante anos, dando origem a sua utilização na referida

competição (a nova Taça da Liga). Resultado, duas equipas

decidiram utilizar os diferentes significados do termo. Durante a

temporada desportiva de 2008/2009, uma equipa (Vitória de

Guimarães) intendeu que ficou apurada para a próxima fase, pois

tinha a melhor diferença de golos (baseado no significado errado

mas corrente, dado ao termo goal-average). A outra equipa

(Belenenses) «chamou» de burros a todos e disse que tinha a

melhor média entre golos marcados e sofridos (a goal-average), tal

como estava escrito preto no branco nas regras. No fim, a Liga

Portuguesa de Futebol (Bolapé) deu razão a equipa que igualmente

não dominava bem o inglês, e acabou por alterar as regras na nova

versão, em relação a este ponto, utilizando o dialeto latino virado

língua, a língua portuguesa.

 

A própria palavra futebol deriva da falta de conhecimento da língua

inglesa (ou talvez seja mais um caso de mania com

estrangeirismos). A palavra original inglesa football, traduzida

literalmente, resulta em bolapé. Mas a opção foi para uma versão

aportuguesada, futebol, espelhando uma dificulade ortográfica e

natural sobre uma língua estrangeira. Nem sempre, mas os nossos

vizinhas de fala castelhana, às vezes utilizam o termo balompie.

 

De qualquer modo, há que salientar a dificulade em entender a

linguagem utilizado por certas pessoas desejosas em demonstrar o

seu grau de sofisticação. Chamão de shó-ofe (exibisionista) ao

mistere (treinador), que no seu saite  (sítio) cheio de estresse

(desgaste), recebe imeles (correio-e) com blagues (diários), e obtêm

um fidebeque  (resposta) direitinho da internete (interrede). Nos

mídia (media) está na moda também a atuação das agências de

reitins (avaliação) com as consequências nos espredes (margens)

baseados em aitens (ítens) duvidosos, dando ao país um fraco

autelouque (previsão). Será necessário um uorque-shope (oficina)

para obter uma melhor performance (desempenho) no domínio da

língua?… Já para não falar da folclórica pronúncia aplicada aos

termos «sofisticados».