A LÍNGUA PORTUGUESA, por vezes menos bem tratada

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E se fosse feito um acordo ortográfico simples, lógico e eficaz.

 

Pois, mas temos um outro acordo: complexo, com demasiadas

exceções às regras; com soluções que não fazem sentido e que não

refletem a realidade fonética; e por tanto baralhar, não oferece um

acordo capaz de eficazmente defender a língua portuguesa, mesmo

no objetivo principal que traçou, a unidade.

 

Em relação à língua portuguesa (como em relação a qualquer outra

língua) existem dois caminhos que se pode seguir, em relação à

ortografia; ou ela reflete a realidade no terreno, por parte da maioria

da população de uma unidade geográfica; ou se tenta uniformizar a

escrita, simplificando-a ao máximo e reduzindo as exceções. O

presente acordo não percorreu nem o primeiro caminho, nem o

segundo.

 

António ou Antônio são admissíveis (tal como muitos outros casos),

consoante a fonética num determinado país ou região. Mas para (do

verbo parar) e para (preposição) já são escritas de forma igual,

apesar de haver diferenças no uso fonético, em pelo menos num

país, além de causar confusão. E, pode causar confusão, apesar da

desculpa que não, que no contexto sintático, se consegue

identificar qual para está em jogo, e assim pronunciar corretamente

a dita palavra. É um argumento pouco convincente.

 

Sem entrar em todos os casos pertinentes (que são demais), basta

ver também a supressão de certas consoantes, com o argumento de

que são silenciosas, esquecendo o seu papel em identificar vogais

abertas, abrindo um fosso entre a realidade escrita e verbal.

 

Há pois, ainda a necessidade de um novo acordo ortográfico, que

escolhesse um dos caminhos anteriormente apontados, ou fiel à

realidade, ou artificialmente uniforme. Baseado na realidade é a

opção de línguas como a inglesa, a espanhola, entre outras. Com

falhas, mas adaptadas às realidades de cada país ou região. Não é

por isso que perderam importância e vitalidade. Caso a

uniformização seja de todo importante, segue-se o outra caminho.

Agora o atual acordo navega por um mar confuso entre as duas

opções. E, assim não dá.